Terremotos na américa do sul: por que Colômbia, Peru e Venezuela tremeram nos últimos meses
Abalos de junho a agosto de 2026, com magnitudes entre 7,2 e 7,4, refletem a intensa dinâmica das placas tectônicas na região e não fazem parte de uma mesma sequência
Uma matéria publicada pela revista fórum destaca a sucessão de terremotos de forte magnitude voltou a colocar a américa do sul no centro do mapa sísmico mundial.
Em 20 de agosto, o peru registrou um tremor de magnitude 7,2 na região de ayacucho. Dez dias antes, a colômbia sentiu um abalo de 7,4 em chocó. Em junho, dois fortes tremores foram sentidos na venezuela. A repetição em curto intervalo acendeu dúvidas: existe relação entre esses eventos?
A explicação está no cenário geológico do continente. Ao longo da costa oeste sul-americana, a placa de nazca mergulha sob a placa sul-americana num processo chamado subducção. Esse atrito acumula tensão por anos, às vezes séculos, até que a energia é liberada de forma abrupta, gerando terremotos.
Peru e colômbia estão dentro do chamado anel de fogo do pacífico, faixa do planeta marcada por grande atividade sísmica e vulcânica.
Em trechos continentais, como ayacucho, os abalos podem ocorrer a profundidades intermediárias; já perto do litoral, tremores rasos têm maior potencial de causar danos e, em casos específicos, tsunamis.
A venezuela vive outra dinâmica. Ali, os sismos decorrem sobretudo do escorregamento lateral entre as placas do caribe e sul-americana.
É um tipo de limite de placas diferente do observado nos andes, mas igualmente capaz de produzir terremotos importantes, geralmente mais rasos.
Os registros recentes não significam, por si, que os terremotos estejam “aumentando” nem que façam parte de um mesmo enxame continental.
Segundo o centro de sismologia da usp, terremotos acontecem diariamente em todo o mundo, e a quantidade de eventos de grande magnitude em 2026 está acima da média, porém ainda dentro da variação natural esperada.
Em outras palavras, os abalos no peru, na colômbia e na venezuela são independentes entre si, resultado da intensa atividade tectônica da região.
Mesmo sem previsão exata de quando e onde ocorrerá o próximo grande terremoto, é possível reduzir riscos: mapas de perigo sísmico orientam códigos de construção, simulações de evacuação e sistemas de alerta. Para a população, informação confiável e treino fazem diferença, conhecer o ambiente, identificar rotas de fuga e adotar procedimentos de proteção durante o tremor ajudam a salvar vidas.
Rudi Walker
Fonte: Revista Fórum/centro de sismologia da usp






















