Panorama do Mercado de Soja e Milho 28/08/2025

Mercado segue travado no interior, exportação tímida e câmbio em observação.

Panorama do Mercado de Soja e Milho 28/08/2025
Patrocínio: Costa Weber Agrosolutions

Liquidez travada, exportação lenta e insumos em foco no Paraná

O mercado de milho iniciou esta quinta-feira (28) em compasso de espera. A comercialização segue em ritmo lento no interior, reflexo de compradores mais seletivos e de indústrias de ração com estoques confortáveis. A consequência é clara: negócios pontuais, pouca movimentação nos portos e uma queda de braço entre quem oferece e quem demanda o cereal.

Interior do Paraná: poucos negócios e disputa de preço

Em Maringá (PR), corretores relatam negócios isolados para indústria de ração em Santa Catarina, a R$ 67,50 por saca CIF (com ICMS incluso), para entrega em setembro e pagamento em outubro. Produtores, no entanto, pedem R$ 69 para liberar volumes nessas condições.

No norte do Paraná, a referência está em R$ 61 por saca FOB, com retirada imediata e pagamento em 30 dias. Já para exportação no Porto de Paranaguá, as indicações giram em torno de R$ 66,50 por saca CIF para outubro/novembro, mas os vendedores só se movimentam acima de R$ 70. “Estamos entrando em setembro e não rodou nem 10% da safra 2024/25”, alertou um corretor ouvido pela Gama.

Mato Grosso: indústria local dita ritmo

Em Primavera do Leste (MT), pequenas indústrias de ração têm puxado o mercado com compras imediatas a R$ 48 por saca FOB. Apesar de vantajoso para o comprador, o valor não agrada os produtores. Para exportação, não houve registro de negócios, mas operadores acreditam que, se o câmbio voltar a R$ 5,50, algumas vendas pontuais podem aparecer.

As indicações para a safra futura (2025/26) permanecem próximas de R$ 49 por saca FOB e CIF, com entrega em julho e pagamento em agosto. O comportamento do clima em setembro será decisivo: se as chuvas ajudarem no início do plantio da soja, a janela do milho safrinha tende a se abrir mais cedo, o que pode pressionar ainda mais os preços.

Referências externas: Chicago, B3 e câmbio

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato dezembro/25 opera próximo de 406 centavos de dólar por bushel, refletindo condições climáticas ainda favoráveis nos Estados Unidos, onde 71% das lavouras estão em boas ou excelentes condições. Na B3, a curva segue ascendente, com o novembro/25 em R$ 69,86 e janeiro/26 em R$ 72,03 por saca.

O câmbio, que fechou a última sessão em R$ 5,42, continua sendo um ponto de atenção: uma eventual alta acima de R$ 5,50 pode destravar negócios de exportação, especialmente no Mato Grosso.

Perspectivas

O mercado de milho deve seguir lateralizado no curto prazo, com liquidez reduzida e negociações pontuais ditando o compasso. Exportação e câmbio seguem como principais variáveis a serem monitoradas, enquanto a proximidade do plantio da soja traz novas expectativas para a safrinha de 2026.

Para o produtor, a recomendação segue clara: manter disciplina de preço, operar com ordens limitadas e avaliar a relação de troca insumo/grão antes de fechar novos pacotes de fertilizantes.