Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e escreve capítulo histórico na Copa do Mundo

Em Boston, tetracampeã mundial perde disputa de penalidades pela primeira vez em sua trajetória nos Mundiais; goleiro Gill pega duas cobranças, Tah isola a sexta batida e Canale converte o pênalti decisivo para classificação heroica da Albirroja

Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e escreve capítulo histórico na Copa do Mundo

O ineditismo derrubou uma das seleções mais tradicionais do planeta. Pela primeira vez em mais de nove décadas de Copas do Mundo, a Alemanha foi eliminada em uma disputa de pênaltis.

O algoz foi o aguerrido Paraguai, que segurou o empate em 1 a 1 durante os 120 minutos e levou a melhor nas cobranças alternadas, vencendo por 6 a 5, na noite desta segunda-feira, no Estádio de Boston, em confronto válido pela fase de 32 da Copa de 2026.

Os alemães carregavam uma escrita imponente. Em quatro disputas anteriores de pênaltis na história dos Mundiais, haviam triunfado em todas: contra França em 1982, México em 1986, Inglaterra em 1990 e Argentina em 2006.

A frieza e a precisão germânica nas penalidades máximas eram tratadas quase como um patrimônio cultural do futebol do país. Desta vez, porém, a história tomou um rumo diferente.

Durante o tempo regulamentar e a prorrogação, as equipes fizeram um duelo tenso e de poucas oportunidades claras. O Paraguai abriu o placar ainda no primeiro tempo, aos 42 minutos, com um chute de Julio Enciso que venceu Manuel Neuer. O camisa 10 paraguaio aproveitou uma sobra na entrada da área e acertou o canto inferior esquerdo, silenciando a numerosa torcida alemã presente em Massachusetts.

A resposta da Alemanha veio na etapa complementar. Aos nove minutos do segundo tempo, Kai Havertz subiu livre após cruzamento pela esquerda e cabeceou no canto, sem chances para Orlando Gill. O gol reacendeu o ímpeto ofensivo dos europeus, mas a defesa paraguaia, bem postada e combativa, resistiu até o apito final dos 90 minutos. A prorrogação também não alterou o marcador, e a decisão da vaga foi para as temidas penalidades.

O que se viu a partir dali foi um roteiro de tirar o fôlego. Havertz, que havia empatado a partida, foi o primeiro a cobrar pela Alemanha e teve seu chute defendido por Gill. Joshua Kimmich, na sequência, bateu com categoria e deslocou o goleiro paraguaio para igualar a série. Jamal Musiala mostrou tranquilidade ao acertar o canto, mas Nick Woltemade, encarregado da quarta cobrança alemã, parou novamente em Gill, que saltou para a direita e espalmou.

Nadiem Amiri, na quinta e última batida da série regular, manteve os alemães vivos ao converter sua cobrança com segurança. Quando a disputa entrou nas alternadas, Jonathan Tah isolou a sexta tentativa germânica, mandando a bola por cima do travessão e abrindo uma avenida para a classificação paraguaia.

Do outro lado, a eficiência sul-americana também enfrentou seus calafrios. Maurício abriu a contagem nas cobranças alternadas com um chute forte e cruzado. Gustavo Gómez e Matías Galarza converteram com frieza, ambos deslocando Neuer. Antonio Sanabria, que tinha a chance de sacramentar a vitória paraguaia, acertou a trave direita. Na sequência, Fabián Balbuena viu o arqueiro alemão defender sua cobrança e adiar a festa guarani. O desfecho veio com Alan Canale, que assumiu a responsabilidade no pênalti derradeiro e converteu, decretando a eliminação histórica da Alemanha e a euforia incontida dos paraguaios.

O goleiro Orlando Gill foi eleito o melhor em campo. Com duas defesas nas cobranças de Havertz e Woltemade, além de atuação segura ao longo dos 120 minutos, o arqueiro nascido no Paraguai e que atua no futebol argentino entrou para a galeria de heróis do seu país em Copas do Mundo. A trajetória de Gill é particular: ele superou a sombra de Gatito Fernández na seleção e teve crescimento influenciado, ainda que indiretamente, pelo estilo do costarriquenho Keylor Navas.

Para a Alemanha, a eliminação precoce representa um dos capítulos mais amargos de sua trajetória em Mundiais. A seleção comandada pelo técnico Julian Nagelsmann já havia dado sinais de oscilação na fase de grupos, quando perdeu de virada para o Equador, e agora viu sua campanha encerrada de forma prematura por um adversário que, no papel, era amplamente favorável. O futebol, contudo, não se decide em prognósticos, e a noite em Boston escancarou que nem as tradições mais sólidas resistem para sempre.

O Paraguai agora aguarda o vencedor do confronto entre outra seleção sul-americana e uma europeia para conhecer seu adversário nas oitavas de final. A equipe de Gustavo Alfaro mostrou que a garra e a organização tática são armas poderosas no mata-mata, e a classificação heroica diante dos alemães certamente entra para a história do futebol paraguaio como uma das maiores conquistas da nação em Copas.

Por Rudi Walker

Fonte: ge.globo.com

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