El Niño já dá sinais no Pacífico e pode provocar chuvas acima da média no Paraná nos próximos meses

Fenômeno deve se consolidar em julho e há possibilidade de atingir intensidade muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027

El Niño já dá sinais no Pacífico e pode provocar chuvas acima da média no Paraná nos próximos meses

A quilo que alguns meteorologistas já haviam anunciado e divulgado aqui no nosso site, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) que as condições características do fenômeno El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico Equatorial.

A expectativa é de que o fenômeno continue se intensificando gradativamente e alcance seu pico entre a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.

No Paraná, os possíveis impactos são acompanhados permanentemente pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), órgão vinculado à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Sustentável.

De acordo com os dados da NOAA, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial já está mais de 0,5°C acima da média desde maio e a tendência é de continuidade do aquecimento nos próximos meses. O aumento da temperatura também é observado nos primeiros 200 metros de profundidade do oceano.

Segundo o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, o aquecimento das águas altera o comportamento dos ventos alísios e influencia diretamente a formação e distribuição das tempestades em várias regiões do planeta.

“A direção dos ventos na região do Oceano Pacífico Equatorial, que era de leste para oeste, começou a mudar para o sentido contrário, trazendo as águas quentes da Oceania em direção ao oeste da América do Sul. Isso pode retroalimentar o aquecimento da água e muda o regime das tempestades em vários locais do planeta”, explica.

Apesar dos sinais já observados, o El Niño ainda não é considerado oficialmente consolidado. Para isso, o aquecimento oceânico precisa permanecer acima de 0,5°C da média por três meses consecutivos. A previsão é de que essa condição seja alcançada em julho.

Conforme o Simepar, os efeitos diretos do fenômeno sobre o clima paranaense ainda não são sentidos de forma significativa, mas devem começar a influenciar as condições meteorológicas a partir do próximo mês.

As projeções dos principais centros internacionais de monitoramento climático indicam volumes de chuva acima da média no Paraná até dezembro, com possibilidade de precipitações muito superiores ao normal durante a primavera.

Outro dado que chama a atenção é a probabilidade de 63% de ocorrência de um El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso as previsões se confirmem, o evento poderá figurar entre os mais intensos desde o início dos registros históricos, em 1950.

Especialistas alertam que fenômenos fortes de El Niño costumam aumentar a frequência de chuvas intensas no Sul do Brasil, elevando o risco de temporais, enchentes e transtornos relacionados ao excesso de precipitação.

Fonte: Simepar

Redação: Rudi Walker

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